O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) desistiu de disputar uma vaga ao Senado nas eleições de 2026. A decisão foi confirmada na quarta-feira (8) e muda o cenário político local, que já vinha sendo marcado por disputas internas, rompimentos e reacomodações entre MDB, PP e PL.
Ibaneis afirmou que não pretende concorrer ao Senado nem a outro cargo eletivo neste ano. Em declarações à imprensa, o ex-governador disse que deseja se dedicar à vida pessoal, à família e ao escritório de advocacia.
A saída da disputa ocorre poucos meses depois de Ibaneis ter deixado o Palácio do Buriti, em março, justamente para cumprir o prazo de desincompatibilização e se colocar como pré-candidato ao Senado. A renúncia ao governo abriu caminho para a então vice-governadora Celina Leão (PP) assumir definitivamente o comando do GDF.
Nos bastidores, a desistência também é vista como reflexo do desgaste provocado pelo caso Banco Master. O nome de Ibaneis passou a ser associado às tratativas envolvendo a tentativa de compra de ativos do Banco Master pelo BRB, operação que acabou barrada pelo Banco Central o episódio contribuiu para o isolamento político do ex-governador e reduziu as chances de apoio do PL à candidatura dele.
A decisão também impacta a relação com Celina Leão. A atual governadora vinha se movimentando politicamente para consolidar sua própria base e já havia sinalizado apoio a uma composição com nomes do PL para o Senado, especialmente Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. Sem Ibaneis na disputa, o campo da direita no Distrito Federal ganha novo desenho e pode concentrar força em candidaturas apoiadas pelo PL.
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Dentro do MDB, a desistência foi recebida como um momento de reorganização. O presidente da Câmara Legislativa e dirigente do MDB no DF, Wellington Luiz, lamentou a decisão e destacou a trajetória administrativa de Ibaneis. Ele afirmou que o ex-governador poderá voltar à política em 2030, caso decida retomar o caminho eleitoral.
Ibaneis governou o Distrito Federal por dois mandatos, tendo sido eleito em 2018 e reeleito em 2022. Sua saída da corrida ao Senado representa uma das maiores mudanças no tabuleiro eleitoral do DF até agora.
Com a desistência, partidos aliados e adversários terão de refazer cálculos. A eleição para o Senado no Distrito Federal, que já era tratada como uma das mais disputadas de 2026, entra em uma nova fase de articulações.
