Selecionado pelo edital FAPDF Tech Learning 2023, o projeto Lab Metaverse UCB: o futuro é ancestral será apresentado na conferência Human Rights in Immersive Realities (XR): Freedom of Expression, Justice, Children’s Rights and Well-Being, realizada nos dias 18 e 19 de maio de 2026, em Estrasburgo, na França.
Coordenada pela professora e pesquisadora Florence Dravet, da Universidade Católica de Brasília (UCB), a iniciativa conta com investimento de R$ 1 milhão da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF). O projeto propõe o uso de realidades imersivas, metaverso e inteligência artificial (IA) para valorizar, preservar e difundir saberes ancestrais de povos indígenas brasileiros.
Para a FAPDF, o apoio ao projeto está alinhado ao incentivo a pesquisas interdisciplinares, inclusivas e com impacto científico, tecnológico, social e cultural.
“Por meio de seus editais, a Fundação apoia projetos que aproximam educação, inovação e novas linguagens tecnológicas, ampliando as possibilidades de aplicação do conhecimento científico em diferentes áreas da sociedade”, afirmou o diretor-presidente da FAPDF, Leonardo Reisman.
Conferência internacional
Promovida pelo Conselho da Europa, a conferência reúne representantes de Estados-membros, pesquisadores, especialistas em tecnologia, integrantes da sociedade civil e instituições ligadas à defesa dos direitos humanos.
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O encontro discute como as tecnologias imersivas, conhecidas pela sigla XR — que inclui realidade virtual, realidade aumentada e ambientes digitais interativos —, estão transformando áreas como liberdade de expressão, justiça, direitos das crianças, saúde mental, bem-estar, democracia e Estado de Direito.
Nesse contexto, a participação do projeto apoiado pela FAPDF insere a produção científica do Distrito Federal em uma discussão internacional sobre os caminhos éticos, sociais e culturais das novas tecnologias.
A apresentação da professora Florence Dravet integra a programação da conferência com o tema From the Forest to the Metaverse: Immersive Experiences and Co-Creation with Indigenous Peoples, em tradução livre, “Da floresta ao metaverso: experiências imersivas e cocriação com povos indígenas”.
Da floresta ao metaverso
O Lab Metaverse UCB é um laboratório dedicado ao desenvolvimento de projetos de inovação tecnológica, pedagógica e cultural. A iniciativa utiliza recursos como realidade virtual, ambientes interativos no metaverso e inteligência artificial generativa para criar experiências voltadas à preservação da cultura, da linguagem e das formas tradicionais de narrar o mundo.
Um dos eixos do projeto é inspirado no Manifesto do Futuro Ancestral, da professora Florence Dravet, e busca desenvolver vivências digitais dedicadas às etnias Pataxó, Yawanawá e Tukano.
Nos ambientes virtuais, os visitantes podem entrar em contato com elementos como oralidade, mitos, grafismos, cantos, narrativas e cosmologias desses povos.
Filme imersivo em realidade virtual
Entre as ações já desenvolvidas está um filme imersivo em realidade virtual 360º, produzido em parceria com lideranças da Aldeia Mutum, do povo Yawanawá, localizada no Acre.
A produção narra um mito ancestral da Floresta Amazônica e conduz o espectador por uma experiência sensorial e simbólica que conecta tecnologia, espiritualidade e memória.
Inovação com responsabilidade cultural
Ao propor experiências imersivas construídas em diálogo com povos indígenas, o projeto mostra que os ambientes virtuais também podem ser espaços de educação, preservação cultural, reconhecimento de identidades e valorização de narrativas tradicionais.
A proposta se diferencia por tratar a tecnologia não como substituta das tradições, mas como ferramenta de escuta, registro e compartilhamento de saberes.
Dessa forma, o metaverso e a realidade virtual passam a ser discutidos também como meios de aproximação entre diferentes formas de conhecimento, ampliando o debate sobre diversidade cultural no ambiente digital.
A presença do Lab Metaverse UCB na França fortalece a internacionalização da ciência produzida no Distrito Federal. Ao ser apresentado em uma conferência do Conselho da Europa, o projeto passa a dialogar com pesquisadores, formuladores de políticas públicas e especialistas de diferentes países sobre o uso responsável das tecnologias imersivas.
Com informações da FAPDF
