Mês de conscientização sobre a doença de Chagas alerta para cuidados e risco de contaminação

Descrita cientificamente pela primeira vez em 1909 pelo infectologista brasileiro Carlos Chagas, a doença de Chagas ainda é uma preocupação de saúde pública. Entre janeiro de 2023 e junho de 2025, foram notificados 1.156 casos somente no Distrito Federal. No ano passado, foram registrados 161 óbitos. No mês de conscientização sobre o tema, a Secretaria de Saúde (SES-DF) ressalta a importância da disseminação de informações sobre como prevenir e buscar tratamento para a enfermidade.

 

A doença de Chagas é provocada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, transmitido pelo inseto conhecido como barbeiro, principalmente por meio de suas fezes, que podem contaminar alimentos. Também pode ocorrer contaminação por acidentes em laboratório e pela chamada transmissão vertical, quando a gestante transmite ao bebê.

 

A manifestação pode ser assintomática ou causar febre, mal-estar, inchaço em um dos olhos, fraqueza, dor de cabeça e dores no corpo. Essa é a chamada fase aguda, quando há possibilidade de tratamento e cura. Já na fase crônica, que pode se manifestar anos ou até décadas após a infecção, podem surgir problemas cardíacos (insuficiência cardíaca e arritmias) e digestivos (como megaesôfago e megacólon), condições que podem representar risco de morte.

Atendimento

 

A principal porta de entrada para atendimento é a rede de unidades básicas de saúde (UBSs). Pessoas com sintomas sugestivos, como alterações cardíacas ou digestivas, devem procurar avaliação.

 

Também há testagem de pessoas assintomáticas quando existe vínculo epidemiológico, como quem mora ou já morou em áreas com registro de presença de barbeiros, pessoas que tiveram contato com o inseto, familiares de pessoas diagnosticadas com a doença de Chagas e indivíduos que realizaram transfusão de sangue antes de 1992.

“A conduta depende do contexto. Não há recomendação automática de testagem indiscriminada. A avaliação é feita caso a caso”, explica a diretora de Vigilância Epidemiológica da SES-DF, Juliane Malta.

De acordo com a gestora, embora a doença não seja considerada endêmica no DF, o território é classificado como de alta vulnerabilidade para doença de Chagas crônica (DCC), segundo índice que considera taxas de morbimortalidade, acesso aos serviços de saúde e outros indicadores epidemiológicos. O DF está entre as três unidades federativas com maior vulnerabilidade, atrás de Goiás e Minas Gerais.

 

“É importante considerar características específicas do DF que podem influenciar esses indicadores, tais como intenso fluxo migratório e perfil demográfico da população residente, incluindo indivíduos que adquiriram a infecção em outras unidades da Federação e que evoluem para a forma crônica anos após a exposição. Temos também concentração de serviços de saúde de média e alta complexidade, além de maior capacidade de diagnóstico e de registro da doença”, acrescenta.

 

A SES-DF também realiza ações de busca ativa, com testagem ampliada, incluindo gestantes.

Prevenção

 

Além das ações de vigilância sanitária para garantir a segurança alimentar no DF, a orientação é consumir alimentos higienizados. Também é importante evitar contato com o inseto barbeiro, que costuma se esconder em frestas de paredes, entulhos e em locais como galinheiros e estábulos.

 

Recomenda-se a instalação de telas metálicas apropriadas nas janelas, além do uso de medidas de proteção individual — como repelentes e roupas de mangas longas — durante atividades noturnas, como caça, pesca ou pernoite em áreas de mata.

 

O que fazer ao encontrar um barbeiro

 

Caso a pessoa encontre um barbeiro, a orientação é acionar a Vigilância Ambiental da SES-DF pelo telefone (61) 3449-4427 ou pelo Disque-Saúde 160. “Assim que a solicitação é recebida, o resultado é retornado o mais breve possível, com a identificação do inseto ao morador ou interlocutor”, explica a bióloga Vilma Ramos, da Gerência de Vigilância Ambiental de Vetores e Animais Peçonhentos e Ações de Campo.

 

Em 2025, a Diretoria de Vigilância Ambiental recebeu 112 chamados por suspeita de presença de insetos barbeiros, dos quais 47 foram confirmados. Em 2026, até o início de março, já foram capturados seis exemplares. As equipes também analisam os insetos coletados para verificar a presença do Trypanosoma cruzi. Dos seis barbeiros analisados em 2026, dois estavam contaminados.

Atenção com pacientes crônicos

 

A Secretaria de Saúde também mantém cuidados específicos com as pessoas que já vivem com a doença. O acompanhamento regular é fundamental para identificar precocemente possíveis complicações e reduzir o risco de formas graves.

 

Pessoas diagnosticadas com doença de Chagas devem realizar avaliações cardíacas e digestivas periódicas, conforme orientação das equipes de saúde. Esse cuidado é importante para reduzir complicações e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.

*Com informações da Secretaria de Saúde (SES-DF)

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