O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou que pretendesse interferir nas eleições brasileiras após o Itamaraty recusar os pedidos de visto de dois integrantes do governo Donald Trump. A posição americana foi divulgada entre a noite de sábado (25) e a madrugada deste domingo.
Os vistos eram destinados a Riley M. Barnes e Samuel Samson, integrantes do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho. A viagem ao Brasil estava prevista para ocorrer entre segunda-feira (27) e quinta-feira (30).
Segundo o Departamento de Estado, os funcionários pretendiam se reunir com autoridades públicas, lideranças religiosas e representantes da sociedade civil. Os temas informados seriam integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão.
Uma fonte do governo americano classificou como infundada a suspeita de que a missão buscaria descredibilizar o sistema eleitoral brasileiro. Washington afirmou que a agenda estaria dentro das atribuições legais do setor responsável pela viagem.
O governo brasileiro, porém, avaliou que a proximidade entre o pedido de visto e as declarações de Flávio Bolsonaro contra as urnas eletrônicas gerava risco de utilização política da visita. O senador havia mencionado informações falsas sobre o sistema de votação durante encontro com diplomatas.
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O Tribunal Superior Eleitoral confirmou que foi procurado pela Embaixada dos Estados Unidos para discutir uma possível reunião. O tribunal informou que o tema específico não havia sido detalhado e que nenhuma agenda chegou a ser formalmente marcada.
O episódio amplia as tensões diplomáticas entre Brasília e Washington. Os dois governos já enfrentam divergências relacionadas às tarifas comerciais, às decisões do Judiciário brasileiro e às manifestações de autoridades estrangeiras sobre as eleições de outubro.
