O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como injustas e estrategicamente equivocadas as novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A manifestação foi feita em artigo publicado neste domingo (26) no jornal norte-americano The Washington Post.
Lula afirmou que as cobranças, que variam de 12,5% a 37,5%, foram impostas mesmo depois de reuniões técnicas, apresentação de documentos e negociações diretas entre os dois governos. Segundo o presidente, a decisão ignora os argumentos comerciais apresentados pelo Brasil.
Entre os produtos afetados estão alimentos, calçados, roupas, móveis, autopeças e outros itens industriais. O presidente argumentou que as tarifas não prejudicarão apenas os exportadores brasileiros, mas também poderão elevar os preços pagos pelos consumidores americanos.
No artigo, Lula destacou que os Estados Unidos acumulam superávit no comércio de bens e serviços com o Brasil há 15 anos. Conforme os dados apresentados pelo presidente, o saldo favorável aos americanos no período chega a US$ 428 bilhões.
O presidente também alertou que empresas brasileiras poderão substituir fornecedores americanos por parceiros de outros países. Para Lula, a manutenção das barreiras poderá comprometer cadeias produtivas que atualmente possuem forte integração entre as duas economias.
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A publicação ocorreu um dia depois de o PL oficializar Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência, em evento com apoio de lideranças internacionais alinhadas ao governo Donald Trump. O contexto fortaleceu a discussão sobre o peso das relações externas na campanha brasileira.
Lula afirmou que o Brasil continua aberto ao diálogo construtivo com Washington, mas reforçou que as decisões sobre o futuro do país devem ser tomadas pelos brasileiros, sem interferência ou submissão a interesses estrangeiros.
