Ressaca ou intoxicação alcoólica? Saiba identificar sinais de alerta pós-Carnaval

Dor de cabeça, enjoo, fraqueza e sede intensa são sintomas comuns de quem exagera na bebida. Na maioria das vezes, a ressaca melhora com hidratação e repouso. No entanto, em algumas situações, o quadro pode evoluir para intoxicação alcoólica, uma condição grave que exige atendimento imediato.

Durante o Carnaval, período marcado por longas horas de festa, altas temperaturas, alimentação irregular e mistura de álcool com bebidas energéticas, o número de atendimentos relacionados ao consumo excessivo costuma aumentar nas emergências.

“Recebemos muitos pacientes que, após a associação do álcool a outras substâncias, como drogas, chegam desacordados e desidratados,”, explica a enfermeira e gerente da UPA do Recanto das Emas, Idê Ingrid Rodrigues Borges.

“O consumo excessivo pode provocar rebaixamento do nível de consciência, vômitos e alterações na pressão arterial”

Idê Ingrid Rodrigues Borges, gerente da UPA do Recanto das Emas

Segundo a profissional do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), também são frequentes atendimentos decorrentes de quedas, brigas e acidentes que poderiam ser evitados. “O consumo excessivo pode provocar rebaixamento do nível de consciência, vômitos e alterações na pressão arterial. Pessoas com doenças como diabetes e hipertensão podem descompensar e chegar em estado mais grave à unidade.”

O que é ressaca e quando deixa de ser “normal”?

A diferença entre uma ressaca comum e um quadro mais grave está, principalmente, na intensidade dos sintomas. A ressaca é a resposta do organismo ao consumo exagerado de álcool: o fígado trabalha para metabolizar a substância enquanto o corpo sofre com desidratação, queda dos níveis de açúcar no sangue e irritação do estômago.

Em casos de ressaca leve, o conselho é  beber bastante água, água de coco ou soro de reidratação, manter alimentação leve e descansar | Foto: Divulgação/IgesDF

Quando o quadro é leve, algumas medidas ajudam na recuperação: beber bastante água, consumir líquidos como água de coco ou soro de reidratação, manter alimentação leve com frutas e alimentos de fácil digestão e descansar adequadamente. Essas atitudes costumam ser suficientes para aliviar os sintomas ao longo do dia.

 

Por outro lado, é importante evitar práticas que podem agravar o problema. Recorrer a “remédios milagrosos”, tomar anti-inflamatórios com o estômago vazio (o que pode causar gastrite e até sangramento) ou ingerir mais álcool para “curar” a ressaca são erros comuns. Também não é recomendado utilizar medicamentos sem orientação profissional.

O sinal de alerta aparece quando os sintomas ultrapassam o desconforto esperado. Vômitos persistentes, sonolência profunda ou dificuldade para acordar, confusão mental, desmaio, respiração lenta ou irregular, pele fria ou arroxeada e convulsões podem indicar intoxicação alcoólica. Nesses casos, há risco de coma alcoólico, uma emergência médica que pode levar à morte se não houver intervenção rápida.

Para a analista administrativa Ieda Soares, que se prepara todos os anos para curtir a folia, cuidar da saúde faz diferença. “A primeira coisa que eu penso é na hidratação. Sempre sigo a orientação de me alimentar bem e intercalar bebida com água. Eu amo o Carnaval, mas o mais importante é aproveitar com responsabilidade e fazer boas amizades.”

Álcool com energético aumenta os riscos

Energéticos contêm cafeína e outras substâncias estimulantes que reduzem a sensação de sono e mascaram os efeitos da embriaguez

Outro fator que merece atenção é a combinação de álcool com energético, bastante comum nas festas. Essa mistura pode aumentar os perigos porque os energéticos contêm cafeína e outras substâncias estimulantes que reduzem a sensação de sono e mascaram os efeitos da embriaguez.

Com isso, a pessoa se sente mais alerta do que realmente está e pode consumir ainda mais álcool. Esse “falso estado de lucidez” favorece intoxicação alcoólica, desidratação grave, arritmias cardíacas e comportamentos de risco.

Para Idê Ingrid, existe o mito de que basta deixar a pessoa dormir para melhorar. Em casos leves, o repouso ajuda. No entanto, diante de sinais de alerta, dormir pode ser perigoso. “A pessoa pode evoluir para depressão respiratória, apresentar lentificação da respiração ou até parada respiratória sem que ninguém perceba”, alerta.

Por isso, se houver dificuldade para acordar ou alterações no padrão respiratório, é fundamental procurar atendimento imediatamente.

*Com informações do IgesDF

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