O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra Cuba e afirmou que teria a “honra” de “tomar Cuba, de alguma forma”. A declaração foi feita na segunda-feira, 16 de março, em meio ao aumento da pressão de Washington sobre Havana e ao avanço de conversas entre os dois países. Antes disso, ainda no domingo, Trump já havia dito que os Estados Unidos poderiam fechar um acordo com Cuba “ou fazer o que fosse necessário”, acrescentando que o tema viria depois da agenda relacionada ao Irã.
As falas ocorrem no momento em que o governo cubano admite contatos com os Estados Unidos. Na sexta-feira, 13 de março, o presidente Miguel Díaz-Canel confirmou a abertura de negociações e afirmou que Havana busca soluções por meio do diálogo, mas deixou claro que qualquer entendimento precisa respeitar a soberania e o sistema político do país. Segundo o governo cubano, a intenção é afastar a relação bilateral do caminho da confrontação.
O novo endurecimento do discurso de Trump acontece em meio ao agravamento da crise interna em Cuba. Na segunda-feira, a rede elétrica nacional do país entrou em colapso, deixando cerca de 10 milhões de pessoas sem energia. De acordo com a Reuters, a situação está ligada ao estrangulamento do abastecimento de combustível, em um cenário de bloqueio de petróleo, escassez de importações e fragilidade de um sistema de geração considerado obsoleto.
Sob forte pressão econômica, Havana também anunciou uma mudança relevante na política interna ao abrir espaço para que cubanos que vivem no exterior possam investir e possuir negócios na ilha. A medida foi apresentada como uma tentativa de reanimar a economia em colapso e surgiu poucos dias depois da confirmação de conversas com Washington. No mesmo contexto, Trump manteve a retórica agressiva, reforçando a percepção de que a crise cubana entrou de vez no centro da disputa política entre os dois governos.