A hipertensão arterial é conhecida como uma doença silenciosa porque, na maioria das vezes, não apresenta sintomas. Por esse motivo, medir a pressão com frequência é uma atitude importante não apenas para quem já recebeu o diagnóstico, mas também para pessoas sem histórico da doença.
Segundo a cardiologista Amabel Brito, referência técnica distrital em cardiologia da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), o acompanhamento regular permite identificar alterações antes que elas provoquem danos ao organismo.
“Como a hipertensão geralmente não apresenta sintomas, medir a pressão com frequência permite identificar mudanças antes que ocorram danos estruturais ao organismo. Isso possibilita antecipar mudanças no estilo de vida e iniciar o tratamento de forma precoce”, explica.
Acompanhamento ajuda no controle da doença
O monitoramento contínuo da pressão arterial, feito em consultas médicas ou em casa, auxilia no ajuste correto de medicamentos, reduz períodos prolongados de pressão alta e diminui oscilações nos níveis pressóricos.
Esse cuidado também permite agir antes do surgimento de complicações graves, como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e insuficiência renal.
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“Monitorar a pressão arterial vai além de acompanhar números. É uma forma de prevenir doenças e promover qualidade de vida”, reforça a cardiologista.
Apesar da importância da aferição, uma única medição não é suficiente para diagnosticar hipertensão. A recomendação é repetir o procedimento em diferentes momentos, sempre com orientação de um profissional de saúde.
Com que frequência medir a pressão?
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), adultos com pressão considerada normal devem medir a pressão pelo menos uma vez por ano.
Já pessoas com pressão limítrofe ou pré-hipertensão precisam fazer esse acompanhamento com mais frequência, geralmente a cada seis meses.
Pacientes com hipertensão ou alto risco cardiovascular devem manter um controle regular. Nesses casos, também podem ser indicados exames fora do consultório, como a monitorização residencial da pressão arterial (MRPA) e a monitorização ambulatorial da pressão arterial, conhecida como Mapa 24 horas.
Como medir a pressão corretamente
Mesmo quando a pressão atinge níveis perigosos, é comum que a pessoa não sinta sintomas. Em muitos casos, a doença só é descoberta após o aparecimento de complicações. Por isso, todo adulto deve medir a pressão ao menos uma vez por ano.
Para garantir um resultado mais confiável, alguns cuidados são recomendados antes da aferição:
- evitar café, bebida alcoólica e cigarro por pelo menos 30 minutos;
- descansar por cerca de cinco minutos antes da medição;
- permanecer sentado, com os pés apoiados no chão;
- manter o braço na altura do coração;
- não conversar durante o procedimento.
Os aparelhos digitais usados em casa também são considerados úteis para acompanhar a pressão arterial. A orientação é escolher equipamentos validados por protocolos reconhecidos e que façam a medição no braço.
Segundo Amabel Brito, alguns fatores podem interferir no resultado.
“Medir a pressão sentindo dor, em momentos de ansiedade ou com a bexiga cheia pode reduzir a confiabilidade da aferição”, alerta.
Quando procurar atendimento
Valores repetidamente acima de 140/90 mmHg, mesmo sem sintomas, são sinal de alerta e indicam a necessidade de avaliação por um profissional de saúde.
O atendimento pode ser feito nas unidades básicas de saúde (UBSs), que são a principal porta de entrada para o tratamento da hipertensão e de outras doenças. A rede pública também conta com centros especializados em hipertensão e diabetes.
Neste ano, a Sociedade Brasileira de Hipertensão lançou a campanha Menos Pressão, com o tema “Controlando Juntos a Hipertensão”. A iniciativa busca orientar a população sobre a importância de medir a pressão arterial, identificar alterações e adotar medidas preventivas.
Com informações da Secretaria de Saúde.
