Uma consulta de rotina para atualizar o grau dos óculos mudou a vida de Renato Marques. Aos 30 anos, ele procurou um oftalmologista sem imaginar que sairia do consultório com o diagnóstico de glaucoma. Na época, sem entender a gravidade da doença, usou o colírio receitado por apenas um mês e interrompeu o tratamento.
Anos depois, ao voltar ao médico para uma nova avaliação, recebeu uma notícia preocupante: o glaucoma havia avançado. Hoje, Renato reconhece que teria agido de outra forma se soubesse, desde o início, o risco que corria. Desde então, passou a fazer exames com regularidade.
O caso chama atenção para uma característica perigosa da doença: o glaucoma costuma evoluir de forma silenciosa. Considerado a principal causa de cegueira irreversível no mundo, ele provoca danos progressivos no nervo óptico e pode comprometer a visão de forma permanente.
Segundo o oftalmologista Edney Resende Moura Filho, do Hospital de Base do Distrito Federal, cerca de 90% dos pacientes não percebem sinais da doença nas fases iniciais. Por isso, a principal forma de descobrir o problema cedo é manter consultas frequentes com um especialista.
Semana Mundial do Glaucoma reforça alerta
Entre os dias 8 e 14 de março, a Semana Mundial do Glaucoma busca ampliar a conscientização sobre a doença e destacar a importância do diagnóstico precoce. A campanha chama atenção para um dado preocupante: muitas pessoas convivem com o glaucoma sem saber.
A doença é marcada pela lesão progressiva do nervo óptico, geralmente associada ao aumento da pressão dentro dos olhos. Embora seja mais comum com o avanço da idade, ela pode surgir em qualquer fase da vida.
Entre os principais fatores de risco estão:
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histórico familiar da doença
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idade acima de 40 anos
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uso prolongado de corticoides
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traumas oculares anteriores
De acordo com especialistas, a perda visual causada pelo glaucoma acontece de forma lenta, o que contribui para o diagnóstico tardio. Muitas vezes, quando o paciente percebe alguma alteração, a doença já está em estágio avançado.
Glaucoma também pode afetar crianças
Ao contrário do que muita gente imagina, o glaucoma não atinge apenas idosos. A doença também pode surgir na infância, inclusive desde o nascimento.
Foi o caso de Juliana Luzia de Souza, hoje com 30 anos. Ela nasceu com glaucoma por causa de um fator genético. A suspeita surgiu ainda nos primeiros dias de vida, quando os médicos notaram alterações em seus olhos.
Juliana passou pela primeira cirurgia com apenas três dias de vida e começou a usar óculos com um mês. Ao longo dos anos, foi submetida a sete cirurgias. Atualmente, perdeu a visão do olho direito e mantém apenas percepção de luz.
Ela afirma que sua experiência reforça a importância do acompanhamento oftalmológico contínuo. Para Juliana, identificar a doença cedo pode evitar o agravamento do quadro e preservar a visão por mais tempo.
Tratamento exige disciplina
Outro desafio no combate ao glaucoma é a continuidade do tratamento. Como a doença nem sempre provoca sintomas, muitos pacientes abandonam o uso do colírio ou deixam de seguir corretamente a orientação médica.
Segundo Edney Moura Filho, esse é um erro comum e perigoso. Muitas pessoas param a medicação porque não percebem melhora imediata ou porque sentem efeitos colaterais, como irritação nos olhos. Ainda assim, o tratamento precisa ser mantido para evitar que a doença continue avançando.
Embora o glaucoma não tenha cura, ele pode ser controlado com acompanhamento médico e tratamento adequado. O diagnóstico precoce é fundamental para reduzir o risco de perda visual severa.
Como buscar atendimento no DF
Quem perceber alterações na visão ou tiver suspeita de glaucoma deve procurar avaliação médica. No Distrito Federal, o primeiro atendimento deve ser feito em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Após essa etapa, o paciente pode ser encaminhado para atendimento especializado, se houver necessidade.
A recomendação dos especialistas é clara: consultas oftalmológicas regulares continuam sendo a melhor forma de prevenir a perda de visão causada pelo glaucoma.
