Conflito com EUA e Israel, apagão de internet e impasse nuclear se somam a uma crise econômica que já alimenta instabilidade interna.
O Irã entrou em um novo pico de instabilidade neste sábado (28), após ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel contra alvos em território iraniano e a subsequente resposta de Teerã com ações militares na região, ampliando o risco de um confronto de maior escala no Oriente Médio. O episódio ocorre em meio a um ambiente já tensionado por negociações nucleares inconclusas e pressão internacional crescente.
No plano interno, a crise ganhou um componente adicional: organizações de monitoramento apontaram um apagão quase total de internet, com a conectividade nacional caindo para cerca de 4% dos níveis usuais — medida que, em outros momentos, já foi associada a tentativas de controle de informação durante crises e protestos.
A escalada também reativou a frente diplomática na ONU. O Conselho de Segurança foi acionado para uma reunião de emergência, com pedidos por cessação das hostilidades e retomada de negociações. Lideranças europeias também pressionaram por desescalada, enquanto diferentes atores internacionais passaram a disputar a narrativa sobre legitimidade e objetivos das ações militares.
No pano de fundo, permanece o nó do programa nuclear iraniano. Relatórios e declarações recentes reforçam a disputa sobre níveis de transparência e acesso de inspetores, além de preocupações com estoques e atividades relacionadas ao enriquecimento de urânio — pontos que têm pautado tanto a pressão dos EUA quanto as cobranças da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA).
A conjuntura externa se soma a uma crise doméstica prolongada, marcada por pressão econômica, sanções e instabilidade cambial, com impacto direto no custo de vida e no clima social. Esse cenário tem sido associado ao aumento de protestos e a respostas duras das forças de segurança, o que aprofunda a fragilidade interna justamente quando o país enfrenta risco maior de conflito regional.