O plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal recebeu, nesta segunda-feira (1º), uma sessão solene em homenagem ao Dia Mundial da Doação de Leite Materno. A iniciativa foi proposta pelo deputado distrital Jorge Vianna (DEM) e destacou a importância da amamentação e da solidariedade das mulheres que doam leite para recém-nascidos que não podem ser amamentados por suas mães.
Durante a solenidade, profissionais de saúde, representantes de bancos de leite e doadoras compartilharam experiências e reforçaram a necessidade de ampliar a conscientização sobre o tema.
Brasil tem a maior rede de bancos de leite humano do mundo
Na abertura da sessão, Jorge Vianna lembrou que o Brasil possui a maior e mais complexa rede de bancos de leite humano do mundo. O parlamentar também citou que o país sediou, no mês passado, o primeiro Congresso da Rede Global de Bancos de Leite Humano.
Apesar dos avanços, Vianna alertou que a falta de doadoras ainda é um dos principais desafios enfrentados pela rede.
“Se puderem, doem. Se não puderem, apoiem as doadoras e divulguem as campanhas. O leite materno é um superalimento e, em muitos sentidos, insubstituível. Os bebês prematuros e de baixo peso, cuidados em UTIs neonatais, precisam desse leite. É uma questão de vida ou morte”, afirmou.
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O deputado também destacou que o processo de doação é simples e acessível. Segundo ele, mães saudáveis que tenham produção excedente de leite podem doar seguindo as orientações disponíveis no site Amamenta Brasília ou pelo telefone 160, opção 4.
Vianna ainda mencionou a Lei Distrital nº 7.711/2025, de sua autoria, que garante isenção da taxa de inscrição em concursos públicos do DF para mulheres doadoras de leite materno.
Especialistas reforçam benefícios da amamentação
A enfermeira do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), Renata Haag, abordou dúvidas e receios comuns entre mulheres sobre a amamentação, especialmente relacionados a mudanças no corpo. Segundo ela, os benefícios são amplos tanto para a mãe quanto para o bebê.
“A amamentação tem efeito protetivo e acumulativo contra o câncer de mama. Durante a amamentação ocorre o último estágio de maturação celular da mama, justamente um fator protetivo. Vamos amamentar para conseguir os benefícios para o binômio mãe-bebê”, explicou.
A coordenadora da política de aleitamento materno da Secretaria de Saúde do DF, Maria das Graças Cruz Rodrigues, destacou o tema da campanha deste ano: “Doação de Leite Humano: Solidariedade que nutre, vida que cresce”.
Segundo ela, a doação representa mais do que um ato biológico.
“Estamos falando de uma escolha consciente da mulher de dividir o alimento de seu bebê com outras pessoas. É compartilhar vida. São mulheres que transformam a abundância que elas têm em esperança para outras famílias”, afirmou.
Bancos de leite atuam também em situações emergenciais
Representando o Banco de Leite Humano do Hospital Anchieta, a responsável técnica Mariana Palhares Temer apresentou os serviços oferecidos gratuitamente pela unidade, como cursos para gestantes.
Ela também relembrou a atuação da rede em momentos de emergência, como nas enchentes no Rio Grande do Sul em 2024.
“A gente conseguiu mobilizar a nossa rede e doar para o Rio Grande do Sul e também exportamos tecnologia para a África e a América Central. Estamos aqui para servir”, disse.
A representante do Ministério da Saúde, Renara Guedes, também participou da solenidade e destacou que o Brasil registra taxa de prematuridade de 12%, o que representa cerca de 300 mil nascimentos prematuros por ano.
Segundo ela, a doação de leite humano é essencial para esses bebês.
“É para esses bebês que a rede trabalha tanto. É importante enfatizar que 300 ml de leite materno podem alimentar até 10 bebês por dia”, ressaltou.
Logística ainda é desafio em áreas rurais
A chefe do Banco de Leite do Hospital de Brazlândia, Anne Oliveira Pereira, falou sobre os desafios para chegar até as doadoras em áreas mais distantes, como chácaras, zonas rurais e municípios da Região Integrada de Desenvolvimento do DF e Entorno (Ride).
“Lidamos com locais distantes, chácaras, zonas rurais, onde as doadoras não conseguem chegar e nós é que temos que chegar a elas. Existe essa dificuldade, mas, com mais divulgação nos municípios, alguns desses gargalos podem ser reduzidos”, afirmou.
Maior doadora do DF compartilha experiência
A sessão também contou com o depoimento de Ana Paula Caetano Dias Anchieta, considerada a maior doadora de leite materno do Distrito Federal.
Ela contou que começou a doar após o nascimento prematuro do filho, que veio ao mundo com apenas 25 semanas de gestação e 890 gramas. Mesmo diante das dificuldades, Ana Paula conseguiu manter a produção de leite para alimentar o próprio filho e também ajudar outros bebês internados em UTI neonatal.
“Manter essa produção foi muito difícil, sem o estímulo da boquinha do bebê. A gente venceu essa batalha, pois meu filho teve o leite garantido e consegui doar para os demais. Era lindo demais ver as outras mães felizes”, relembrou.
Ana Paula também chamou atenção para os períodos em que os bancos de leite enfrentam baixa nos estoques e precisam recorrer a fórmulas como alternativa.
“Quem puder doar, doe, porque doação é amor. Qualquer quantidade é importante”, reforçou.
Como doar leite materno no DF
Mães saudáveis, que estejam amamentando e tenham leite excedente, podem se tornar doadoras. As orientações estão disponíveis pelo site Amamenta Brasília ou pelo telefone 160, opção 4.
A doação de leite materno ajuda principalmente bebês prematuros, de baixo peso ou internados em UTIs neonatais.
Com informações da Câmara Legislativa do Distrito Federal
