O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil, mas tem metade da área comprometida por ações antrópicas. A área cobre cerca de 23% do território nacional. Estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), com base em dados de 2022, revela que apenas 48% do ecossistema ainda conta com vegetação nativa.
O relatório mostra que 73% das terras do bioma estão em áreas privadas e que 85% dos desmatamentos ocorreram em propriedades rurais. A publicação dos dados se deu na semana do Dia Nacional do Cerrado, comemorado em 11 de setembro.
No estado do Goiás, 70% do Cerrado já não tem mais vegetação nativa, mas em um povoado quilombola do estado, a 340km do centro de Brasília, a fauna e a flora de um dos ecossistemas mais diversos do planeta resistem, à mercê de sucessivos ataques, principalmente de mercados vorazes como o do agronegócio.
O território quilombola Kalunga teve, desde 1985, 16% do Cerrado desmatado. Em quase 40 anos, essa taxa subiu 6 pontos percentuais — um avanço considerado pequeno se comparado ao verificado em outras áreas.
Mesmo com a redução da mata nativa, ações antrópicas diversas, uma das que tem mais alcance, repercussão midiática e que gera mais mobilização para combate, devido aos efeitos visuais imediatos, são os incêndios em vegetações.
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O uso do fogo com base em conhecimentos tradicionais e, na última década, com acompanhamento de pesquisadores e de técnicos de órgãos públicos federais, transformou os kalungas em referência na preservação do Cerrado.
