A Polícia Civil do Distrito Federal realizou a Operação Dark Spot contra uma organização criminosa suspeita de comercializar dados pessoais e informações protegidas por sigilo. A investigação foi conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos.
Segundo a PCDF, o grupo mantinha uma plataforma digital que permitia consultas a dados da Receita Federal, registros de Carteira Nacional de Habilitação, informações de veículos, processos judiciais e sistemas corporativos de órgãos de segurança pública.
O serviço funcionava com uma aparência profissional e utilizava créditos pré-pagos. Os pagamentos eram realizados por Pix ou criptoativos, enquanto uma rede de revendedores divulgava e comercializava o acesso em redes sociais e aplicativos de mensagens.
Entre maio de 2023 e junho de 2024, a plataforma teria realizado mais de 18 milhões de consultas, originadas de aproximadamente 257 mil endereços de internet. A investigação identificou 45.134 cadastros, dos quais 7.242 correspondiam a usuários ativos.
Durante os testes, os investigadores conseguiram acessar informações verdadeiras de autoridades públicas do Distrito Federal. Para a polícia, o resultado demonstrou o risco que o sistema representava para a privacidade dos cidadãos e para a segurança institucional.
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O grupo também teria demonstrado capacidade de retomar as atividades após operações policiais. Os serviços eram transferidos entre provedores nacionais e estrangeiros, com novas ferramentas de anonimização e reconstrução da plataforma em outros endereços eletrônicos.
Foram cumpridos quatro mandados de prisão — três preventivos e um temporário — e seis mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Sul, em São Paulo e no Rio de Janeiro. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 2 milhões, enquanto a PCDF estima que o grupo tenha movimentado mais de R$ 1 milhão entre dezembro de 2024 e março de 2025.
