A violência doméstica segue como um dos maiores desafios da segurança pública no Distrito Federal. Um estudo da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) aponta que, ao longo de 2025, 5.588 agressores foram presos por crimes relacionados à violência doméstica. Na prática, isso significa que um autor foi detido, em média, a cada uma hora e meia.
O levantamento, elaborado pela Subsecretaria de Gestão da Informação (SGI), analisou os registros do ano passado em comparação com 2024. No período, foram contabilizadas 23.066 ocorrências de agressões contra mulheres no DF.
Segundo a vice-governadora Celina Leão, entender como esses crimes acontecem é essencial para tornar as políticas públicas mais eficientes e ampliar a proteção às vítimas. Ela destacou que o estudo ajuda a identificar padrões e a orientar ações de prevenção, além de reforçar a importância da denúncia para interromper o ciclo de violência.
O secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, afirmou que o combate à violência contra a mulher é uma prioridade estratégica no Distrito Federal. De acordo com ele, o uso de dados e evidências permite que as forças de segurança atuem de forma mais precisa tanto na proteção das vítimas quanto na prisão dos agressores.
Já a secretária da Mulher, Giselle Ferreira, ressaltou que o enfrentamento desse tipo de crime depende de ações integradas entre diferentes áreas do governo e de uma rede de acolhimento preparada para agir com rapidez.
Fins de semana e período da noite concentram mais casos
Os dados revelam que os finais de semana concentram 36% das ocorrências, com maior incidência durante a noite. O domingo, sozinho, responde por 19% dos registros, sendo o dia com mais casos.
Outro ponto que chama atenção é o local onde a violência acontece. De acordo com o estudo, 69,4% das ocorrências foram registradas dentro de casa, o que reforça o caráter íntimo e silencioso da violência doméstica.
Entre os tipos de agressão, a violência psicológica aparece como a mais frequente, presente em 77% dos casos. Já a violência física foi identificada em 29,3% das ocorrências.
Mulheres jovens são as principais vítimas
O levantamento mostra que mulheres de todas as idades sofrem com a violência doméstica, mas os casos se concentram principalmente entre as mais jovens. A faixa etária de 18 a 29 anos representa 32,3% das vítimas, enquanto mulheres de 30 a 39 anos correspondem a 30,9% dos registros.
O estudo também apontou que todas as ocorrências tiveram autoria identificada, totalizando 20.160 autores distintos. Na maioria dos casos, os agressores são homens: 89,5% das ocorrências elucidadas envolveram autores do sexo masculino. Em 10,5% dos casos, as agressoras identificadas eram mulheres.
Reincidência preocupa autoridades
Outro dado importante é a repetição da violência. Das 20.572 vítimas mulheres identificadas em 2025, 2.628 registraram duas ou mais ocorrências ao longo do ano. O número representa 12,8% do total analisado e mostra que muitas vítimas continuam expostas a situações recorrentes de agressão.
Para a SSP-DF, esse cenário reforça a necessidade de ampliar a proteção às mulheres em situação de maior vulnerabilidade.
Denúncia é ferramenta essencial
As autoridades reforçam que denunciar é fundamental para interromper a violência e garantir proteção à vítima. No DF, além das delegacias comuns e das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam I e Deam II), também é possível registrar a ocorrência pela plataforma Maria da Penha Online.
Pelo sistema, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, preencher avaliação de risco, representar contra o agressor, pedir acolhimento em Casa Abrigo e anexar documentos, fotos, vídeos e outros materiais.
As denúncias podem ser feitas pelos seguintes canais da Polícia Civil do DF:
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Telefone 197, opção 0
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WhatsApp: (61) 98626-1197
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E-mail: denuncia197@pcdf.df.gov.br
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Denúncia online, no portal da PCDF
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Em caso de emergência, a orientação é ligar para o 190
Descumprimento de medida protetiva cresceu
O estudo também mostrou um aumento de 17,3% nos casos de descumprimento de medidas protetivas concedidas pela Justiça. Diante disso, a SSP-DF reforça a importância de programas como o Viva Flor e o Dispositivo de Proteção à Pessoa (DPP).
No caso do DPP, a vítima recebe um dispositivo de alerta e o agressor passa a ser monitorado com tornozeleira eletrônica. Sempre que a distância mínima determinada pela Justiça é desrespeitada, o sistema emite um alerta e aciona as forças de segurança. Atualmente, 627 pessoas são acompanhadas pelo programa, sendo 553 vítimas e 74 agressores.
Já o Viva Flor permite que mulheres em situação de risco acionem rapidamente a rede de proteção. Hoje, o programa atende 1.734 mulheres em todo o Distrito Federal.
Desde agosto de 2025, o Viva Flor também passou a funcionar em delegacias circunscricionais, além das unidades especializadas. O atendimento foi ampliado para regiões como Paranoá, Planaltina, Gama, Santa Maria e Brazlândia, escolhidas com base nos índices de violência doméstica.
Rede de apoio inclui acolhimento e assistência social
O combate à violência contra a mulher no DF também conta com uma rede integrada de proteção, coordenada pelo Governo do Distrito Federal. Entre os serviços disponíveis estão a Casa da Mulher Brasileira, os Espaços Acolher, os Centros Especializados de Atendimento e Proteção à Mulher e os comitês regionais de proteção.
Além do acolhimento, a rede oferece suporte social às vítimas, como o Aluguel Social para mulheres em situação de violência e o programa Acolher Eles e Elas, voltado à assistência financeira de órfãos do feminicídio.
